22.7.07
15.3.07
Elegia (Por Um Fantasma) E O Fim Anunciado.
Aqui jaz Luciano Bréu,
Assassinado numa tarde de Quarta-Feira em Dezembro,
De onde só restei eu.
Aqui jaz o cadáver.
Hoje este fantasma não tem razão de ser.
Deixo esta mesa aos que se perderem depois de mim.
Deixo estas palavras aos que queiram aprender.
Deixo o meu corpo para arder.
Um dia serei cinzas nas pontas dos cigarros fumados pela Noite.
Uma Noite serei o vapor e o calor do chá de outro rendido.
Hoje sou o espírito derrotado que se desvanece da face da Terra.
Aqui jaz o que fomos.
Adeus, meu mundo. Até sempre, branquinha. Adeus, meu Amor.
Amo-te.
Fim.
Assassinado numa tarde de Quarta-Feira em Dezembro,
De onde só restei eu.
Aqui jaz o cadáver.
Hoje este fantasma não tem razão de ser.
Deixo esta mesa aos que se perderem depois de mim.
Deixo estas palavras aos que queiram aprender.
Deixo o meu corpo para arder.
Um dia serei cinzas nas pontas dos cigarros fumados pela Noite.
Uma Noite serei o vapor e o calor do chá de outro rendido.
Hoje sou o espírito derrotado que se desvanece da face da Terra.
Aqui jaz o que fomos.
Adeus, meu mundo. Até sempre, branquinha. Adeus, meu Amor.
Amo-te.
Fim.
14.3.07
Parco Em Palavras.
As palavras custam a sair quando o sangue gelou. Os gritos do coração não se ouvem quando o fechamos na masmorra mais secreta do nosso ser.
22.2.07
Quente.
Há sempre um formulário, um espaço em branco, uma parcela, um membro, um denominador. Há sempre aquele número, sempre aquela expressão que me faz escrever o teu nome na solução. Não sei que lógica uso, mas sei que és o meu resultado mais recorrente.
Frio.
A Noite faz lembrar outras, mas mais fria. É como tantas, mas gelada. O chá até é o mesmo mas esfumaça menos, os dedos são meus mas adormecem-lhes mais as pontas, a face outrora ruborizada não destoa nos cinzentos do ar que fuma toda a sala.
E por entre pingas de chá sorvido sem pressa percebo que esta mesa nunca esteve tão mergulhada nas trevas.
Os dias estendem-se como enormes livros de contas, cadernos escolares, bíblias quadriculadas onde só cabem números e incógnitas. Já fiz as contas suficientes para saber que sinto o coração a abrandar à medida que as equações me preenchem as veias.
Daqui a pouco sou igual a ti.
E por entre pingas de chá sorvido sem pressa percebo que esta mesa nunca esteve tão mergulhada nas trevas.
Os dias estendem-se como enormes livros de contas, cadernos escolares, bíblias quadriculadas onde só cabem números e incógnitas. Já fiz as contas suficientes para saber que sinto o coração a abrandar à medida que as equações me preenchem as veias.
Daqui a pouco sou igual a ti.
18.2.07
Pois Sim.
Faço tudo com uma orquestra na minha cabeça, pronta a tocar a partitura mais épica de sempre no dia em que fizer algo de importante para mim. A música, guardá-la-ei só para mim. Às vezes temos de ser egoístas. Espero que essas sejam algumas delas.
Não me lembro de alguma vez ter trabalhado num Domingo mas acho que vou gostar.
Não me lembro de alguma vez ter trabalhado num Domingo mas acho que vou gostar.
17.2.07
Conto Coisas.
Há dias tentei escrever no trabalho, à hora de almoço, depois de ter terminado a minha sandes e porque a ligação à Internet caiu. As palavras de tarde são de outra cor, demasiado claras, aquém da escuridão que preciso de pendurar nos meus textos. Rasguei a folha antes sequer de poder reler.
Quarta-feira passei o melhor Dia dos Namorados da minha vida, e tudo porque consegui ignorar o acontecimento por completo sem acessos de ódio e sem actos infrutíferos. Fechei os olhos orgulhoso dos meus progressos.
Pena que não consiga deixar de odiar de forma visceral o Carnaval. Já tentei ignorar os desfiles à chuva e as partidas previsíveis, já tentei tolerar os disfarces de gosto discutível e os fetiches reprimidos que se revelam, mas no fim o meu desgosto vence sempre. Talvez o meu mal seja a revolta (ler dois posts atrás). Passo anos inteiros com uma máscara, por isso perdoem-me se me causa alguma repulsa a ideia de usar outra durante meia-dúzia de dias.
E da forma alarmante com que a minha máscara tem balançado do meu rosto, diria que já é complicado manter a que tenho de ter, a que todos temos de ter. E as fendas que se acumulam de tanto me marretar contra a tristeza demonstram uma certa fragilidade. Deixei crescer a barba para segurá-la com firmeza. Quase um Leónidas, quase o próximo louco do sanatório.
Afinal de contas...
... É Carnaval, ninguém leva a mal.
Quarta-feira passei o melhor Dia dos Namorados da minha vida, e tudo porque consegui ignorar o acontecimento por completo sem acessos de ódio e sem actos infrutíferos. Fechei os olhos orgulhoso dos meus progressos.
Pena que não consiga deixar de odiar de forma visceral o Carnaval. Já tentei ignorar os desfiles à chuva e as partidas previsíveis, já tentei tolerar os disfarces de gosto discutível e os fetiches reprimidos que se revelam, mas no fim o meu desgosto vence sempre. Talvez o meu mal seja a revolta (ler dois posts atrás). Passo anos inteiros com uma máscara, por isso perdoem-me se me causa alguma repulsa a ideia de usar outra durante meia-dúzia de dias.
E da forma alarmante com que a minha máscara tem balançado do meu rosto, diria que já é complicado manter a que tenho de ter, a que todos temos de ter. E as fendas que se acumulam de tanto me marretar contra a tristeza demonstram uma certa fragilidade. Deixei crescer a barba para segurá-la com firmeza. Quase um Leónidas, quase o próximo louco do sanatório.
Afinal de contas...
... É Carnaval, ninguém leva a mal.
Números Em Palavras.
Sento-me enfim neste canto de sempre que mal retém o meu cheiro. Passo dias demais longe daqui. Espero o chá e as palavras presas nos números começam a escorrer, como bagos de areia espessa numa peneira.
Não faço mais nada senão trabalhar. Entro de madrugada e saio depois do dia. O Sol não me consegue apanhar. Ninguém me consegue apanhar. Quando adormeço, sonho com os números do dia seguinte e as contas que deverei efectuar. Ao acordar, enquanto escovo os dentes, memorizo os códigos e os artigos e planeio o dia e os números associados. Enquanto polvilho o meu cappuccino matinal com canela lembro-se sempre daquele ofício que falta escrever, daquele relatório de contas que já devia estar. No autocarro para o trabalho oiço repetidamente a mesma música, aquela que me relembra o que devo fazer, enquanto passo os olhos pelo trabalho que terei de adiantar assim que chegar ao meu gabinete. Às vezes descuido-me com o número de vezes que repito a música e os meus olhos humedecem enquanto olho para as árvores a sucederem-se no vidro rápido, mas a minha atenção volta de repente ao cálculos que havia feito no dia anterior e que no fim de contas estavam errados. Atenção Luciano, atenção.
É complicado achar palavras para descrever dias tão cheios de números. Se pudesse achava uma equação, uma matriz, um espaço vectorial que definisse na perfeição aquilo que tenho sido. Uma conta de multiplicar que fosse.
Não faço mais nada senão trabalhar. Entro de madrugada e saio depois do dia. O Sol não me consegue apanhar. Ninguém me consegue apanhar. Quando adormeço, sonho com os números do dia seguinte e as contas que deverei efectuar. Ao acordar, enquanto escovo os dentes, memorizo os códigos e os artigos e planeio o dia e os números associados. Enquanto polvilho o meu cappuccino matinal com canela lembro-se sempre daquele ofício que falta escrever, daquele relatório de contas que já devia estar. No autocarro para o trabalho oiço repetidamente a mesma música, aquela que me relembra o que devo fazer, enquanto passo os olhos pelo trabalho que terei de adiantar assim que chegar ao meu gabinete. Às vezes descuido-me com o número de vezes que repito a música e os meus olhos humedecem enquanto olho para as árvores a sucederem-se no vidro rápido, mas a minha atenção volta de repente ao cálculos que havia feito no dia anterior e que no fim de contas estavam errados. Atenção Luciano, atenção.
É complicado achar palavras para descrever dias tão cheios de números. Se pudesse achava uma equação, uma matriz, um espaço vectorial que definisse na perfeição aquilo que tenho sido. Uma conta de multiplicar que fosse.
8.2.07
A Revolta Não É Vida.
E ainda assim não consigo dar por mim a viver de outro modo. Não é vida, mas ajuda-nos a conseguir uma.
Sortudos os marinheiros por não ser mar, sortudos os soldados por não ser vento do deserto. Sou as ondas que quebram cascos como palitos e as tempestades de areia que arrancam a carne dos ossos. Sou a revolução, o protesto e a indignação. Sou o bater do coração. Sou aquele grito que ressoa pelas gerações e aquele Amor insolente que dura para sempre. Sou o prisioneiro que estrebucha, o abandonado que encontra o caminho de volta a casa. Sou o apaixonado incansável, o romântico incurável e o guerreiro na mão dos deuses. Sou o instrumento da Revolta e curvo-me perante o seu poder. Sou as chamas e fogo de um beijo ardente.
Sou a voz que não se cala na tua mente.
Sortudos os marinheiros por não ser mar, sortudos os soldados por não ser vento do deserto. Sou as ondas que quebram cascos como palitos e as tempestades de areia que arrancam a carne dos ossos. Sou a revolução, o protesto e a indignação. Sou o bater do coração. Sou aquele grito que ressoa pelas gerações e aquele Amor insolente que dura para sempre. Sou o prisioneiro que estrebucha, o abandonado que encontra o caminho de volta a casa. Sou o apaixonado incansável, o romântico incurável e o guerreiro na mão dos deuses. Sou o instrumento da Revolta e curvo-me perante o seu poder. Sou as chamas e fogo de um beijo ardente.
Sou a voz que não se cala na tua mente.
7.2.07
Esperança Própria.
Todas as Noites, antes de adormecer, rezo-te em voz baixa. Todas as Noites peço-te. Todas as Noites acredito em ti, minha única Fé.
Palavras Emprestadas.
What's coming through is alive. What's holding up is a mirror. But what's singing songs is a snake looking to turn this piss to wine. They're both totally void of hate, but killing me just the same. The snake behind me hisses what my damage could have been. My blood before me begs me to open up my heart again.
And I feel this coming over like a storm again. Considerately.
Venomous voice, tempts me, drains me, bleeds me, leaves me cracked and empty. Drags me down like some sweet gravity. The snake behind me hisses what my damage could have been. My blood before me begs me to open up my heart again.
And I feel this coming over like a storm again.
I am too connected to you to slip away, to fade away. Days away I still feel you touching me, changing me, and considerately killing me.
Without the skin, beneath the storm, under these tears the walls came down. And the snake is drowned and as I look in her eyes, my fear begins to fade, recalling all of those times.
I could have cried then. I should have cried then.
And as the walls come down and as I look in your eyes, my fear begins to fade, recalling all of the times I have died and will die. It's all right.
I don't mind. I don't mind. I don't mind.
I am too connected to you to slip away, to fade away. Days away I still feel you touching me, changing me, and considerately killing me.
And I feel this coming over like a storm again. Considerately.
Venomous voice, tempts me, drains me, bleeds me, leaves me cracked and empty. Drags me down like some sweet gravity. The snake behind me hisses what my damage could have been. My blood before me begs me to open up my heart again.
And I feel this coming over like a storm again.
I am too connected to you to slip away, to fade away. Days away I still feel you touching me, changing me, and considerately killing me.
Without the skin, beneath the storm, under these tears the walls came down. And the snake is drowned and as I look in her eyes, my fear begins to fade, recalling all of those times.
I could have cried then. I should have cried then.
And as the walls come down and as I look in your eyes, my fear begins to fade, recalling all of the times I have died and will die. It's all right.
I don't mind. I don't mind. I don't mind.
I am too connected to you to slip away, to fade away. Days away I still feel you touching me, changing me, and considerately killing me.
Tool - H.
6.2.07
Pedaços de Nós V.
Os nossos corpos rendidos ao prazer. A tua expressão e a emoção de ser teu. Os gemidos e o suor à luz das velas, o ondular dos corpos esculpido na escuridão ou nos raios do Sol que nos viola pela persiana fechada.
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A tristeza do último beijo, antes da partida. As lágrimas de incerteza e os abraços fortes. As promessas. O sabor dos teus lábios.
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A felicidade de avistar-te no fundo da avenida enquanto te espero com as malas na mão. O teu sorriso terno e a vontade de ficar para sempre.
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A tristeza do último beijo, antes da partida. As lágrimas de incerteza e os abraços fortes. As promessas. O sabor dos teus lábios.
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A felicidade de avistar-te no fundo da avenida enquanto te espero com as malas na mão. O teu sorriso terno e a vontade de ficar para sempre.
Feridas de Guerra.
Pedi um chá para me aquecer a garganta dorida pelo frio e pelos gritos que não ouves. Limpo o teu sangue das minhas mãos e suturo as minhas próprias feridas, que as tuas não consigo alcançar. O teu olhar fleumático não durou quando te belisquei a pele e mordi o lábio. O teu coração gelado voltou a bater quando o sacudi pelos teus ombros. O gelo derreteu e reconheço quem estava atrás do muro de água empedrada. Ainda és tu.
Se pudesse cuidava de ti, se deixasses. Perdoa-me.
Amo-te gravemente.
Se pudesse cuidava de ti, se deixasses. Perdoa-me.
Amo-te gravemente.
5.2.07
Pedaços de Nós IV.
A tua mão dada à minha enquanto vagueamos pela baixa à procura de História. Não consigo deixar de me arrebatar pelo mais evidente: As ruas são sempre mais lindas quando as atravesso contigo.
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Discordamos com tudo o que vemos na televisão. Perco-me enquanto falas apaixonadamente de um tema trivial enquanto fixas os olhos no ecrã. Depois respondo-te com sarcasmo só para te acicatar a pele e ruborizar ainda mais os teus lábios perfeitos.
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Fico à porta da casa-de-banho a observar-te quando sais do banho. A toalha desliza na tua pele de seda clara e todos os teus movimentos fazem-me acreditar um pouco mais que os deuses fazem algo na Terra. Embaraço-te.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Esta Noite não subimos de elevador. Escalamos as escadas e contemos e contamos os segundos até nos deixarmos cegar pelo desejo. Não sei em que andar parámos. A luz apagou-se e as minhas mãos acenderam-te o prazer. Os teus olhos brilham e o meu corpo ascende.
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Discordamos com tudo o que vemos na televisão. Perco-me enquanto falas apaixonadamente de um tema trivial enquanto fixas os olhos no ecrã. Depois respondo-te com sarcasmo só para te acicatar a pele e ruborizar ainda mais os teus lábios perfeitos.
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Fico à porta da casa-de-banho a observar-te quando sais do banho. A toalha desliza na tua pele de seda clara e todos os teus movimentos fazem-me acreditar um pouco mais que os deuses fazem algo na Terra. Embaraço-te.
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Esta Noite não subimos de elevador. Escalamos as escadas e contemos e contamos os segundos até nos deixarmos cegar pelo desejo. Não sei em que andar parámos. A luz apagou-se e as minhas mãos acenderam-te o prazer. Os teus olhos brilham e o meu corpo ascende.


